Hoje meu cérebro não está funcionando direito.
Como semana passada a Vanessa (hostmother) falou que eu não precisaria trabalhar essa segunda, resolvi fazer um bico de garçonete no domingo. Me dei mal!
Quer dizer, depende do ponto de vista.
Cheguei à conclusão que aqui em Londres é o lugar pra quem quer fazer dinheiro fácil, mas não trabalhando, e sim, com dinheiro.
Quem trabalha na área financeira, faz muito dinheiro por aqui, isso eu já sabia, mas acabei confirmando mais ainda essa minha idéia depois que me dei conta de como tem judeu por aqui.
E pelo que dizem, onde tem judeu, tem dinheiro.
Nada contra judeu, bem pelo contrário, admiro muitíssimo as tradições deles e o fato de eles concervarem coisas tão bonitas.
E aqui eles não estão concentrados, como em Porto Alegre que a maioria deles mora pela região do Bom Fim, existem diversos bairros, e grandes.
Eles chamam a atenção porque na maioria são judeus ortodoxos, daqueles que usam um chapéu de xaxim na cabeça e não falam com mulheres, nem esbarrar é permitido.
Ontem fui trabalhar de garçonete num casamento judeu, o casamento era em Luton (fora de Londres) então fomos pegar a van da agência em Brent Cross, um bairro judeu de Londres.
Cheguei cedo, morrendo de vontade de fazer xixi e o único local que encontrei foi um pub, há uns 10 minutos da estação.
No pub tinha uma moça atendendo e um cara parado sem fazer nada, quando cheguei perto dele e perguntei onde ficava o toilete, ele não falou uma palavra, fez um gesto indicando que eu deveria falar com a moça.
Bom, depois do xixi, fiz meu caminho de volta à estação e a van já estava lá.
Fomos para o hotel onde seria o casamento, um lugar lindo.
Um gramado sem fim e os prédios de tijolinho aparecendo, parecia um castelo.
A cerimônia foi no gramado, no meio de um jardim, antes da cerimônia estavam servindo limonada e um docinho cor-de-rosa.
A cerimônia começou lá pelas três da tarde e depois dela os convidados foram para uma sala onde foram servidas as bebidas e os salgados.
Ficaram umas três horas lá, teve banda, os convidados cantaram e dançaram e fizeram aquilo que a gente vê nos filmes de casamento de judeus, levantaram as cadeiras com os noivos e dançaram em uma roda ao redor deles.
Depois todos se direcionaram para uma tenda enorme e teve a janta, uma mistureba, comida indiana com vegetariana e shoarma, ou kebab, ou dönner, ou churrasquinho grego (hehehe).
Depois da janta teve docinhos, frutas e café e uma banda que tocava salsa.
Depois teve fogos e no final uma baladinha, pensei que não fosse acabar nunca.
Os convidados bem educados, a comida kosher, que é o que os judeus super religiosos comem, explicando com palavras mais bonitas, é a comida que obedece as regras da lei judaica.
Para quem tem curiosidade, o fato de um alimento não ter sido pago, ou ter sido pago indevidamente, torna ele não-kosher. Até pensei em pesquisar como uma carne deve ser cortada para ser considerada kosher, mas não é simples assim, não apenas o jeito de cortar o animal é diferente (como os árabes e a carne halal) mas o animal deve ser kosher também.
As regras kosher foram retiradas de três livros, o Torá, Leviticus e Deuterônimo.
Bom, a questão é que um dos convidados me chamou e disse que o vinho branco estava quente, ele queria fazer uma piada:
C- The wine I drunk before was boiling! (o vinho de antes estava fervendo)
D- I think this one is a little better.
C- No, you didn't understand, it was boiling when it was been made, because you have to boile the wine.
Ele quis dizer que em algum momento o vinho estava fervendo, porque você deve ferver o vinho para fazer vinho kosher, só que ele esperava que eu soubesse disso, e se eu soubesse a frase dele teria ficado ambígüa, mas eu não sabia, estraguei a piada dele e ele ainda teve que me explicar.
Mas ele não se importou!
Resumo da ópera, trabalhei 11 horas em pé, para ganhar 60 pila, chegar em casa às 3hs da manhã e ter que acordar no dia seguinte às 7hs para trabalhar porque a família mudou de idéia.
Fazer o que né? Dizem que faz parte!
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