sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Copenhagen não é só chocolate

- Com um quilo de vaca não se morre de fome.

- O que?

- Com um quilo de vaca não se morre de fome.

- Ahm... ok entao!

Assim foi como comecou a troca cultural em Copenhagen, nossa segunda noite na Dinamarca.

Três romenas, uma brasileira (no caso, eu), uma australiana (a Sarah), uma tailandesa e uma japonesa dividindo o quarto do hostel.

Foi nessa viagem que consegui sentir novamente que estou fora de casa, do meu Brasil querido, porque até então a vida estava rotineira e cheia de brasileiros ao redor.

A primeira coisa que chamou minha atencão em Copenhagen é que todo mundo fala inglês, e muito bem, quer dizer, a tia do cachorro-quente não fala, mas ela entende a linguagem dos sinais.

A cidade é encantadora, não é grande e é possível andar por ela e conhecer todos os pontos turísticos em um dia e meio.

E a idéia de dividir um quarto de hostel com mais 6 desconhecidos não foi nada ruim, foi onde tudo comecou a ficar mais interessante.

Quinta-feira de noite, antes de sair para a noite dinamarquesa, duas romenas e uma brasileira tentavam se comunicar em mandarim (just for a change) quando uma tailandesa entrou na conversa e acabou (literalmente) dancando.

No meio da confusão entre japonês, romeno, francês dinamarquês, português e algum ingl
ês foi que eu aprendi a única frase em português que é igual em romeno: com um quilo de vaca não se morre de fome.

Bom saber, né! E bastante lógico também.

Duas horas depois de dancas tailandesas e algumas correcões idiomáticas resolvemos sair em busca do príncipe dinamarquês.

Inclusive, quero deixar registrado que dinamarquês bonito é pleonasmo.

Levamos uma hora para chegar no "latin quarter" que já estava adormecido quando encontramos dois turistas italianos também desconsolados por não poderem pôr em práticas suas aulas de salsa, nos juntamos a eles e encontramos um pub cheio de gente bêbada.

Ah! E lá pode-se fumar nesses ambientes, saímos defumados.

Depois de alguns pints e um dinamarquês gordo convidar as meninas para dancar coladinho resolvemos mudar os ares e fomos para outro pub onde nos juntamos a mais outros 4 franceses.

E então... mudamos de pub novamente.

Quando nos demos conta já era mais de duas da matina e tínhamos que pegar o trem por volta das seis para vir para Estocolmo.

Mas a noite estava apenas comecando.

Uma figura estranha, vestindo um kilt, nos parou na rua fazendo perguntas em dinamarquês, uma hora dessas posto o vídeo do descendente de viking que vestia kilt e dancava dancas tipicas da russia, vestia uma camisa italiana e falava inglês.

Chegando perto do hostel encontramos um espanhol perdido, que não falava inglês e nem dinamarquês e foi estudar em Copenhagen.

Perguntei para ele como é que ele vai fazer para entender as aulas, a resposta dele foi:

- My English is coming!

Como assim? Ele veio de Valência, deixou o inglês dele lá e o inglês vai pegar o próximo trem pra Copenhagen?

Segundo ele o inglês dele ainda não est vivo, então tá, né!

O cara tinha umas cinco malas e não tinha nem lugar para dormir, enquanto olhávamos no mapa onde ficava o hostel para o perdido, um peladão passou correndo por nós, só segurando os documentos.

Eu hein! A vida parecia mais simples quando Copenhagen era apenas aquela loja de chocolates.