Todo o dia a mesma coisa, uma tentativa de fuga, um novo plano para escapar a rotina, uma rota diferente para fugir do igual.
Às vezes, no meio do caminho, eu me sento, respiro fundo, dou uma olhada na paisagem, e me pergunto pra onde estou indo, porquê e se eu realmente quero chegar lá.
Aí já fico entediada outra vez, levanto e saio correndo, andando, nadando, pego um ônibus, um avião, o que for, só pra sair do lugar.
E quando o mundo parece estar caindo, o primeiro impulso é pensar no nome da próxima cidade, de preferência país, onde recomeçar tudo do zero.
Mas a minha sorte é que quando começo algo, vou até o fim, mesmo que passe por esses momentos de dúvida e pressa infinita de fugir no meio do percurso. E isso acho que me faz mudar menos de endereço.
Acho que tenho que ter sempre um projeto pra terminar, assim fico mais tempo em cada lugar.
Aí eu acho que estou ficando louca, que ninguém me entende e que estão todos tramando algo contra mim, que meu mundo não existe, que é tudo coisa da minha cabeça.
Canso de pensar, pego o telefone e ligo para o Luciano:
“Lu! O que vamos fazer hoje?”
“Tá, fala logo, o que você esqueceu? O que eu tenho que buscar? Quebrou alguma coisa?”
“Não, não, vamos pro cinema?”
Ele sempre dá aquele suspiro profundo que me deixa claro que estou atrapalhando, mas mesmo assim me pergunta qual o filme que quero ver. Dá mil desculpas, suspira mais umas duas ou três vezes, mas acaba pegando o casaco e indo onde eu peço pra ele me encontrar.
Sempre chega antes, sabe que eu odeio esperar.
É isso aí, eu odeio esperar, tudo, qualquer coisa. Odeio esperar a vida passar, acho que a gente tem que sair correndo atrás, também não gosto de fila, prefiro ficar sem, sem qualquer coisa que eu esteja esperando na fila e o pior de tudo, odeio esperar quem se atrasa.
Já sei que ele vai estar lá, porque amigo é para essas coisas, mas deve ter deixado um trabalho pela metade, alguma coisa por concluir, a casa uma bagunça, sei lá, deve estar explodindo por dentro. É por isso que eu sempre chego com o sorriso de orelha a orelha, mesmo que o peito esteja apertado de tanta angústia, de tanta pressa.
O rosto impaciente se acalma um pouco e pelas próximas horas, eu esqueço a pressa de sair correndo pelo mundo.
4 comentários:
stressed words ...
olaaaaaaa...
aqui quem escreve eh teu fan numero de de carterinha...
hmm...sobre o topico, acho que egito cura a rotina...hehe
bjussss do admirador secreto!
tb quero postar aqui hehe
Tu é do tipo de gente que faz as coisas acontecerem. E, talvez por isso, pensa que se não fizer nada, nada acontece. Não é assim.
Mesmo que nada aconteça aparentemente, algo estárá sempre acontecendo: os teus sentimentos e os teus pensamentos. A tua percepção sobre as coisas está sempre em processo. E um minuto nunca é igual ao outro. Isso é meditação.
Às vezes, quando a gente tenta desesperadamente preencher o tempo vazio, é porque não queremos enfrentar a nós mesmos. Então nos enchemos de atividades que, embora não sejam tãaao prazeirosas, pelo menos distraem, entretêm. É por isso que se chama entretenimento... hehe
O fato é que o dia em que a gente aprende a conviver com o tédio ele deixa de existir...
Bah me puxei agora... hehehe
bjs!
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