Descobri que se algum dia eu resolver ser escritora, tenho que morar em Londres.
Já comecei bem, quatro horas na terra da rainha e já tenho o que contar.
Na verdade tudo começou há dois dias atrás, quando, com apenas 24hs faltando para o vôo, me dei conta que minha passagem não era Milão-Londres, mas o contrário.
Foi por isso que acabei vindo pra cá um dia depois.
Logo que desembarco, me dou conta de que estou com o selo do passaporte italiano vencido, comecei a tremer e a planejar o que iria fazer de volta à Italia, onde eu poderia comprar o tal selo na Itália e assim por diante.
Na fila da alfândega vi que poderia entrar na Inglaterra com a minha identidade italiana, ufffa!
Vou caminhando por Gatwick e vendo os primeiros sinais de que estou em Londres: Boots, Mark’s Spencer, gente fazendo fila descentemente, informações...
Fico algum tempo esperando o motorista que foi me buscar no aeroporto e depois de uma hora sem sinal do homem, resolvo verificar se meu celular está realmente funcionando.
Encontrei um inglês bem gatinho e pedi se ele poderia me ajudar, ligar pra mim pra eu poder saber se meu celular ainda funciona depois de um ano desligado.
Agora eu tenho o número dele e ele o meu... huahuahua
Ah, e claro, o celular funcionou.
Acho que o motorista foi o primeiro afegão que eu conheci na minha vida, foi interessante falar com ele, ficou me contando como era no Afeganistão na época do Talibã, que os homens não podiam cortar barba nem usar gravata, que era proibido ter câmera fotográfica ou filmadora, ver televisão ou ouvir música e não se podia festejar casamento. Ele disse também que o filme “The kite runner” reflete bem como era no país dele.
Cheguando na casa da Família Egan fui super bem recebida, com abraços e tudo, com direito a Mussaka e frango Thai, vinho tinto e um tour pela nova casa, que ficou de cinema. Ter dinheiro é outra coisa, uma hora dessas posto umas fotinhos.
Mas a parte mais emocionante foi depois de tomar banho, quando já iria me recolher.
Nos fundos da casa tem um lago, deixei a janela aberta e quando voltei do banheiro, o quarto estava infestado de mosquitos, joaninhas, aranhas, mariposas e o que mais você quiser imaginar.
Meu primeiro pensamento foi buscar algo em spray que eu tivesse, pra ver se ao menos intoxicasse os animais selvagens que tomaram conta do meu quarto.
E encontrei um laquê... he he he
Os primeiros mosquitos ficaram tontinhos, a segunda leva, estava firme e forte na parede, mas o zum zum já tinha parado. Fixei tudo na parede, afinal, pra que serve laquê mesmo? Ahahahah