A câmera lenta foi inventada por uma pessoa que passou oito anos esperando que algo acontecesse e, de repente, do outro lado da rua, da Oxford Circus ela vê alguém que esperou tanto tempo para ver.
Essa pessoa vem em câmera lenta na sua direção enquanto todo o resto do mundo corre sua rotina comum. Parece clip de música da Alanis, com fundo musical daquele compositor alemão. Aquele que estava vivo ainda.
E aí acontece o tão esperado "Oi".
E o silêncio cai outra vez.
"Vamos pela Regent Steet?"
Não importa, vamos para qualquer lado, já nem estou mais ali.
Já viu a televisão antes do telecurso segundo grau, ainda quando não tinha controle remoto? Aquelas listras coloridas e um silêncio que não faz sentido.
Ou aquele ruído irritantemente insistente de algo fora do ar?
Assim foi, por uma Regent Street inteira, e um parque e mais um, e os três que se conectam.
Até quebrar o salto do sapato e "eu preciso ir agora".
Nonada... nenhuma travessia.
Um vão de oito anos que pareceram em vão.
Com pílulas engolidas e histórias contadas, e-mails trocados. E mais dois anos, se vão.
Se foram por causa da escova de dentes de cabo amarelo, cuja presença insistentemente irritava.
Mais dois anos, mais dois, mais... deu.